Tocantins, 21 de July de 2024 - Mira Jornal - 00:00

Policia

Cerca de metade das mulheres do Norte do Brasil já sofreram violência doméstica

28/06/2024 05h21

A população feminina local também é a que reconhece estar menos informada sobre seus direitos previstos na Lei Maria da Penha

De acordo com a primeira atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, 52% da população feminina do Norte do Brasil declara ter sofrido alguma forma de violência doméstica ao longo de suas vidas.

O projeto é resultado de uma parceria entre o Senado Federal, através do Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV) e do DataSenado, o Instituto Avon e a Gênero e Número. Essa é a primeira vez, desde 2005, que a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher apresenta dados estaduais.

O Amazonas é o estado mais impactado pela violência de gênero, com 57% da sua população feminina assumindo ter vivenciado essas formas de abusos e violações, seguido do Amapá (56%), Rondônia (55%) e Acre (54%). Tocantins (52%), Roraima (50%) e Pará (50%) também apresentam altos níveis de violência contra mulheres. No recorte nacional, 48% das brasileiras já vivenciaram alguma situação de violência doméstica ou familiar.

Além disso, 73% das nortistas afirmaram ter uma amiga, familiar ou conhecida que já sofreu violência doméstica e familiar. Tocantins (75%) lidera esse índice em comparação ao restante do país, seguido do Amazonas, Amapá e Acre, com 74%, e Rondônia, Roraima e Pará, com 73%.

“A análise de dados de violência de gênero por estado é fundamental para compreendermos, com maior profundidade, o real cenário de cada região do país. Com estes insumos, pretendemos contribuir com a gestão pública na criação e aperfeiçoamento de medidas, serviços e políticas públicas de conscientização, apoio e proteção de mulheres em situação de violência. Agora, o Mapa – uma ferramenta resultante da união entre os setores público e privado – irá facilitar o acesso a essas informações para qualquer pessoa ou instituição que deseja entender melhor a realidade da violência de gênero no Brasil”, explica Daniela Grelin, diretora executiva do Instituto Avon.

Conhecimento sobre direitos femininos previstos na lei ainda é limitado à minoria da população

As nortistas também são as que se consideram menos familiarizadas com a legislação brasileira que visa protegê-las em casos de violência doméstica em relação ao restante do país: cerca de 72% delas assumem conhecer pouco a Lei Maria da Penha. Amazonas e Pará, ambos com 74% da sua população feminina reconhecendo não estarem bem-informadas sobre o tema, são os estados com os piores índices do país nesse sentido, enquanto Roraima (71%), Rondônia (70%), Amapá (69%), Acre (68%) e Tocantins (65%) também estão entre os locais que precisam intensificar a conscientização das mulheres sobre o assunto.

Inclusive, é nítido o impacto que a falta de conhecimento sobre os mecanismos e serviços de proteção garantidos pela lei tem sobre as mulheres que sofrem violência, já que apenas 33% da população feminina vítima de abusos e violações da região já solicitou medidas protetivas de urgência. O Amazonas é o estado do Norte com o maior número de solicitações (38%), enquanto Tocantins (37%), Rondônia (36%), Amapá (34%), Acre (32%), Roraima (32%) e Pará (29%) vem na sequência.

“Do que uma mulher que sofre violência precisa? Acredito que a análise aprofundada da pesquisa traz muitas respostas. Dentre elas, uma chave para libertar essa mulher de relações abusivas é o maior acesso à escuta qualificada e ao apoio psicológico e assistencial na fase inicial da violência, que leve informação, segurança e caminhos para essa mulher”, diz Maria Teresa Prado, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal.

Mapa Nacional da Violência de Gênero

Lançado em novembro de 2023, o Mapa Nacional da Violência de Gênero é uma plataforma interativa que reúne os principais dados nacionais públicos e indicadores de violência contra as mulheres do Brasil, incluindo a Pesquisa Nacional de Violência contra as Mulheres – a mais longa série de estudos sobre o tema no país. Dos dias 21 de agosto a 25 de setembro de 2023, 21.787 mulheres de 16 anos ou mais foram entrevistadas por telefone, em amostra representativa da opinião da população feminina brasileira.

Desde seu lançamento, o Mapa teve duas atualizações (em fevereiro e junho de 2024), foi apresentado internacionalmente na 68ª Comission on the Status of Women (CSW) na Organização das Nações Unidas (ONU), e recebeu o prêmio na categoria Impacto Global pelo Qlik Transformation Awards, um dos maiores evento de arquitetura e visualização de dados do mundo.

"Sem dados não há políticas públicas eficazes e o papel do Mapa Nacional da Violência de Gênero é visibilizar e disponibilizar os dados de violência de gênero em todos os cantos do país. Em um país continental, o território pode trazer diferentes necessidades e perspectivas para as ações e políticas de combate à violência de gênero e os dados com um recorte local, como os disponíveis nessa nova atualização do Mapa, são fundamentais para isso", diz Vitória Régia da Silva, Presidente e diretora de conteúdo da Gênero e Número.

Sobre o Instituto Avon

O Instituto Avon é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua na defesa de direitos fundamentais das mulheres, promovendo iniciativas em atenção ao câncer de mama e enfrentamento às violências contra as meninas e mulheres. Por meio de ações próprias e parcerias com instituições da sociedade civil, setor privado e poder público, o Instituto Avon se concentra na produção de conhecimento e no desenvolvimento de projetos que mobilizem todos os setores da sociedade para o avanço das causas. Desde a sua fundação, em 2003, o braço social da Avon no Brasil já investiu mais de R$ 207 milhões em mais de 430 projetos, beneficiando mais de 5,3 milhões de pessoas e engajando mais de 130 empresas em suas iniciativas.

Sobre Gênero e Número

A Gênero e Número é uma associação de mídia independente que produz, analisa e dissemina dados especializados em gênero, raça e sexualidade em diferentes formatos. Com linguagem gráfica, conteúdo audiovisual, pesquisas, relatórios e reportagens multimídia, informa uma audiência interessada no assunto. O seu propósito é impulsionar o debate sobre equidade e embasar discursos de mudança.

Sobre o Observatório da Mulher Contra a Violência do Senado Federal (OMV)

O Observatório da Mulher faz parte da estrutura da Secretaria de Transparência do Senado. Em parceria com o Instituto DataSenado, é responsável pela Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, que é a maior e mais longa pesquisa realizada com mulheres no país sobre o tema. O OMV tem como atribuição reunir e sistematizar as estatísticas oficiais, promover pesquisas e estudos, coletar dados primários e apoiar o trabalho de senadores e senadoras em relação à violência contra a mulher. Sua missão é contribuir para o fim da violência contra as mulheres, constituindo-se como uma plataforma de referência nacional e internacional em dados, pesquisa, análise e intercâmbio entre as principais instituições atuantes na temática de violência contra as mulheres.
Weber Shandwick/[email protected]  

   

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  • José Professor
    10/06/24 15h53
    As vezes sinto vergonha de me declarar brasileiro ao ver o meu País ser (des)GOVERNADO pro um LADRÃO.Saudades de...
  • José Professor
    10/06/24 15h47
    Quando é que a PM Tocantins vai começar a agir contra o excesso de SONS nos bairros de Miracema? Sons absurdamente...
  • deu na imprensa
    10/05/24 09h47
    A Constituição Estadual ganha um novo artigo: o 122-A, ratificando o dever do Estado para com as políticas públicas...
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